Empreendedorismo · Inspiração · Varejo

Serendipity – o que isto tem a ver com consumo?

Longe de pesquisas profundas sobre este tema, eu resolvi fazer este post, afinal esta palavrinha tem começado a aparecer com certa frequência em notícias ligadas ao mundo dos negócios e tendências do varejo.

Serendipity é um dos termos do inglês que é melhor não traduzir, pois sua tradução ficaria algo como “Serendipidade” – o que continua a não esclarecer nada. É uma expressão usada para referenciar uma feliz descoberta ao acaso, uma agradável surpresa ou ainda a imprevisibilidade benéfica da vida capaz de gerar entusiasmo.

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Um significado repleto de positividade, para uma palavra com uma pronúncia um pouco dificultosa e que vem ganhando espaço no vocabulário corporativo.

E o que isto impacta no varejo?

Promover esta sensação de “Serendipity” talvez seja mais um dos mais relevantes esforços que o lojista precisará adicionar à experiência de compra de seu empreendimento. Vou contar um fato ocorrido comigo, que talvez ajude a entender o conceito:

Eu estive recentemente no Rio Grande do Sul e percorrendo o roteiro Caminhos de Pedra me deparei com um estabelecimento chamado Casa da Tecelagem. Entrei apenas com a finalidade de conhecer, afinal, este também era um dos pontos de visitação programado.

Assim como as demais construções deste roteiro, a Casa da Tecelagem está abrigada num casarão de madeira construído em 1915.  O espaço é dividido em duas partes: ao lado direito temos a loja e ao lado oposto temos o atelier.

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Fachada da Casa da Tecelagem

O atelier funciona desde 1995, todas as peças comercializadas são produzidas ali mesmo em teares manuais que devem ter mais de 100 anos de história. O turista pode inclusive presenciar o momento da produção e observar todos os cuidados das artesãs com a fabricação de mantas, casacos, xales, tapetes e cachecóis.

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Uma pausa para admirar o desenvolvimento das peças

O ambiente faz um contraponto com este movimento do fast fashion (moda rápida e em série para estimular consumo), pois os artigos são produzidos artesanalmente, cada peça praticamente é exclusiva. É incrível observar a quantidade de carreteis e a habilidade daquelas artesãs para operar os teares e deles extrair vestuário e tapeçaria de muito bom gosto.

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Foto do Facebook – divulgação Casa da Tecelagem

A loja mantém esta identidade artesanal, com uma arquitetura de madeira que oferece aconchego e uma decoração que remete ao rústico. As peças são expostas estrategicamente para que o cliente possa tocar e se encantar com a textura das lãs.

Percorrendo o ponto de venda, observo que exposto de forma criativa, numa roda de carroça, estava um cachecol quentinho, colorido com tons terrosos e cheio de estilo, sendo ofertado por R$ 49,00. Eu que já estava totalmente envolvida com a proposta da loja, não poderia sair dali sem esta “feliz descoberta ao acaso”!

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Criatividade na exposição dos produtos

O termo Serendipity, a meu ver, aplica-se totalmente a esta experiência de compra, pois me promoveu aquela esta sensação prazerosa de encontrar algo me identifiquei tanto e com um contexto de compra muito acima das minhas expectativas.

Com a finalidade de compreender a percepção de outros consumidores, eu também pesquisei as avaliações da Casa da Tecelagem no site TripAdvisor. Em muitos relatos as pessoas mencionavam “dá vontade de comprar tudo”, o que comprova que esta coisa do inusitado cai na graça e no bolso do cliente.

Esta euforia de surpresa também acontece quando o consumidor resolve garimpar produtos. Com este cenário de recessão, determinada fatia de consumidores volta a frequentar ruas de comércio popular ou lojas que tem fama de “baratinhas” garimpando ofertas e novidades, na busca de itens de consumo que eles possam classificar como um “achado”, uma “sorte ter encontrado”.

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Foto da Daiso – um convite ao garimpo de produtos com proposta de economia

Observando os conteúdos digitais compartilhados por blogueiras, a palavra “descobri” aparece quase o tempo todo: descobri este restaurante, descobri esta máscara facial, descobri um lojinha que fica perto de tal lugar, descobri uma receita fitness etc. Esta infinidade de descobertas compartilhadas é o resultado do sucesso delas, afinal o consumidor esta cansado das banalidades e busca referências, produtos e vivências para se distrair e tomar decisões rápidas de compra.

Não posso deixar de citar os clubes de assinatura! As empresas fazem a curadoria de produtos/amostras e você paga para receber um produto que você não escolheu, ou seja, uma surpresa que chega aleatoriamente e com regularidade em sua residência, numa caixa linda, lançando a ilusão de que foi alguém que lhe presentou.

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 As emoções promovidas por este efeito surpresa são tão viciantes que este mercado possui mais de 2 milhões de consumidores – *Foto de divulgação da Birchbox 

A reflexão que quero promover com este texto é que provavelmente não é só a crise que tem contribuído para deixar as linhas de saldo do fluxo de caixa vermelhas. O consumidor não aceita mais mesmice. O momento da compra ganhou outros significados que pedem uma revolução na forma de fazer negócios!

Desejo uma semana repleta de serendipity para você! 🙂

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