Empreendedorismo · Varejo

Uma casa, loja e fazenda de ovelhas!

Era uma vez uma fazendinha com rebanho de ovinos, que de maneira artesanal e simplória começou a produzir iogurtes de leite de ovelha. Mais tarde tendo o reconhecimento das propriedades nutritivas deste alimento, amplia sua linha de produção agregando em seu portfólio o queijo pecorino (pécora = ovelha em italiano), doces de leite e geleias. Buscando novas possibilidades comerciais, esta empresa cria uma linha de cosméticos derivada também da ovinocultura.

Eu estou me referindo a Casa da Ovelha, um empreendimento que visitei em Bento Gonçalves-RS. Até aqui, já teríamos um empreendimento de destaque, pois cultivar uma raça de ovelhas europeias, adaptá-las ao nosso clima e criar uma linha de produtos tão diversificada já seria um case do agronegócio, no entanto, a empresa foi identificando várias oportunidades e tendências que poderiam ser absorvidas ao modelo de negócio que hoje reúne também, experiências de consumo no varejo e no turismo.

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Ovelhas na Casa de Pedra da raça Lacoune, de origem da cidade de Roquefort na França

As propriedades da Casa da Ovelha também compõe o acervo histórico do roteiro turístico Caminhos de Pedra. A construção é de 1917 e assim como outros casos que contei, o casarão foi restaurado para tornar-se um atrativo. Temos então, além da produção, uma proposta de turismo de experiência. A estrutura acoplada junto à Casa da Ovelha, na verdade, é um parque temático onde o visitante pode vivenciar como é o dia a dia de uma fazenda de ovelhas.

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A Casa da Ovelha é um dos pontos de visitação do Caminhos de Pedra

A relação dócil das ovelhas com os seres humanos é descrita até na Bíblia. Pensando em promover este convívio, na visitação, é permitido a interação com os animais, sendo possível amamentar filhotes, acompanhar a ordenha, assistir cães da raça Border Collei fazer o pastoreiro e compreender todo o processo de produção do leite e seus derivados (infelizmente, eu fui em um horário não muito oportuno para acompanhar a visita e agora pesquisando mais sobre a fazenda já estou me remoendo de arrependimento). Eu visitei apenas o varejo, o que me rendeu muita inspiração para publicar este post.

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Turista interage com a amamentação dos filhotes – esta foto não é minha, a fonte é de divulgação

Antes de falar sobre a minha visita, preciso fazer um desabafo: sempre que vamos falar de tendências de consumo, temos como referência o varejo norte-americano! Eu sei que eles são a referência mundial quando o assunto é encantar o consumidor, mas no Brasil, os profissionais e empresas de consultorias do varejo vivem do efeito manada: todos os exemplos de marcas citadas, que aplicam a principais tendências estão fora do território nacional. Comprove aí! Faça uma pesquisa no Google e 90% das referências vão se voltar para as lojas gringas. Precisamos romper um pouco disto e gerar conhecimento de varejo com exemplos que temos aqui no Brasil. Esta é minha proposta aqui no blog, relatar vivências que podem ser atribuídas aos principais estudos de varejo e comportamento do consumidor com alusões mais próximas à nossa realidade.

Voltando ao meu relato, consegue-se identificar neste empreendimento estratégias atribuídas à algumas macro tendências de consumo. A primeira delas é o Hiperlocal, que é um contraponto, uma forma de dar um basta em relação ao consumo empacotado, ou seja, tudo aquilo que consumimos fruto de uma produção desenfreada, sem rastreamento de origem, composição, efeitos no meio ambiente etc.

O conceito de Hiperlocal está associado a produtos autênticos que remetem uma proximidade com o consumidor. São opções provenientes de produtores locais, que expressam procedência e qualidade. Lá fora, esta macro tendência está ligada a expressão “farm to table” da fazenda para a mesa – enaltecendo o frescor dos alimentos e a logística local. A experiência do consumo destes produtos, ainda soma o efeito de engajamento, ou seja, uma sensação de recompensa por estar contribuindo com o desenvolvimento sustentável da comunidade e seus arredores.

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O famoso queijo pecorino livre de glúten e lactose! (crédito da imagem: Empório Salvador)

Desta maneira, o consumidor antes de adquirir o queijo pecorino disponível no varejo da Casa da Ovelha, pode vivenciar como é um dia na fazenda, observando o cuidado com os animais, conhecendo as pessoas que trabalham na produção e outros atributos que tornam o produto e a experiência de compra muito singular.

Os grandes especialistas no tema varejo também têm grifado em seus depoimentos que o novo consumidor não quer mais interagir com empresas que olhem apenas para seus números e mercado. O novo consumidor quer uma empresa que olhe para ele, que seja capaz de gerar conexões emocionais e como eu sempre falo: uma loja que vai permitir ter boas lembranças para contar, gerando memória afetiva!

Compreendendo e colocando estes aspectos em prática, a Casa da Ovelha, além de tudo isto que já relatei, oferece também no ponto de venda, uma linha de produtos que vai materializar esta relação afetiva com as ovelhas, incorporando no varejo uma faceta lúdica. Imagine uma loja repleta de vários tipos de produto com o tema: ovelhinhas! São canecas, roupas, pelúcias e outros souvenires que compõe todo o universo que descrevi.

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Ovelhas de todos os tipos e tamanhos: uma mais fofa do que a outra
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Este modelo é um ícone – encontrado em toda Serra Gaúcha como souvenir da viagem
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A temática se espalha também em outros produtos

Compramos os queijos pecorinos e doces de leite, afinal com tanto encantamento e aprendizado, como consumidora fiz questão de recompensar um empreendimento como este. Só não comprei a big ovelha porque não teria como trazê-la no avião! Mais um motivo para eu voltar um dia!

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Vou ter que voltar para comprá-la! Não foi desta vez que consegui 😦

Fico muito contente em compartilhar boas práticas de pequenos empreendimentos brasileiros! Tem mais experiências positivas desta viagem para contar!

E você, já conheceu empresas com produtos autênticos como a Casa da Ovelha, que caminham para um consumo mais consciente?

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