Inspiração

Estamos preparados para a velhice?

Nesta última semana a rotina novamente me engoliu. Não deu tempo de processar as entradas (e-mails, tralhas, pendências…) e ainda não fiz minha revisão semanal. Tento manter a calma, pois as atribuições da próxima semana também não terão piedade da minha pessoa.

Com tanta coisa a ser feita, o fim de semana não prometia nenhuma programação especial. Para ficar um pouco off-line, fui tomar café da tarde com minha mãe, tias e primos. Estes encontros acontecem na casa de uma tia que é praticamente como se fosse minha avó materna. Desde a infância temos esta tradição de nos reunirmos para um cafezinho da tarde, com direito a café coado na hora, pães, bolos… tudo com muita fartura, mas sem nenhum tipo de frescura.

Há alguns anos, esta minha tia sofre de artrose, doença esta que limitou seus movimentos e que provoca dores intensas nas articulações do joelho. Além da idade avançada, este quadro se deu pelo histórico de obesidade e sedentarismo. Minha tia não se casou, se aposentou e teve uma vida dedicada a cuidar dos meus bisavós e de seus sobrinhos. Cuidava da casa, cozinhava, conversava com a vizinhança e se entretinha com as crianças (eu inclusive). Até pouco tempo, era totalmente independente, fazia compras, ia à farmácia e nos terços religiosos do bairro.

Agora, além desta questão crônica, observamos que seu quadro neurológico também já não é o mesmo: começou a confundir os nomes dos familiares, os dias da semana e agora precisa de apoio constante, pois já não tem mais discernimento sobre horários da medicação e outras banalidades.

Em sua última consulta está semana, o médico recomendou três coisas essenciais para amenizar os sintomas: beber muita água para hidratar o cérebro, trocar a bengala pelo andador para que ela continue a se movimentar e não poupá-la de atividades que exigem o raciocínio cerebral. Sugeriu que ela faça leituras, artesanato e que converse bastante para manter seu bem-estar social.

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Comentando sobre isto, ficamos à mesa a conversar sobre outros idosos que sofrem pela solidão e outras doenças da alma.

Ao ir dormir no final do dia, fiquei pensando: Estamos preparados para um dia viver exclusivamente da nossa companhia? Qual o preço que a saúde física e mental vai nos cobrar pelos hábitos de hoje? Quais os estímulos terão nosso corpo e mente para se manterem saudáveis?

Não trago hoje um post inspirador, mas sim reflexivo e ao mesmo tempo um pedido de autoconsciência sobre a natureza da vida. Disse uma vez um médico, que até os trinta anos estamos escalando uma linda montanha, mas depois disto, já devemos preparar nosso corpo para retornar este caminho, pois começamos a partir deste momento a envelhecer.

Vamos aproveitar a paisagem e programar um retorno seguro, consciente dos obstáculos que teremos? Este foi meu aprendizado deste início de semana.

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*as fotos não foram eu que tirei. São resultados das buscas do Google.

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Um comentário em “Estamos preparados para a velhice?

  1. Oi, Lu!
    Eu tenho pensado muito na velhice do Cláudio, prá daqui 40 rápidos anos… Não lhe fiz irmãos, não terá sobrinhos… ao menos espero que tenha uns três filhos!
    Quanto à Tia, me fez lembrar os últimos anos da Avó, a busca por cuidadores (que não param no emprego), a consciência se esvaindo. Neste último domingo tive muita saudade dela, porém dela saudável, antes daquela fase.

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